Rafael Azuir

Cidades inteligentes: o poder da tecnologia

Imagine que hoje você more sozinho em um apartamento com dois cômodos. Agora imagine que, de um dia para o outro, 15 pessoas passem a morar neste mesmo apartamento. As coisas ficarão caóticas, não é mesmo? Isto foi, a grosso modo, o que ocorreu nas grandes cidades nos últimos séculos. A população, que antes se espalhava pelos territórios dos países, hoje se aglomera nos centros urbanos. As modificações no mercado de trabalho que ocorreram neste período não foram acompanhadas pelo planejamento urbano. Mesmo em municípios planejados como Brasília temos graves problemas com transporte e moradia.

Buscando solucionar estes problemas, ganha força nos anos 90 o conceito de cidades inteligentes (smart cities). Tema complexo, que conta com diversas definições e vem evoluindo com o passar dos anos, define a busca por cidades que aliem o desenvolvimento humano coletivo, maior bem-estar social com o uso de tecnologias, sempre pensando no menor impacto ambiental possível. O IESE Business School da Espanha coloca 10 indicadores do desenvolvimento de uma cidade inteligente: governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, o meio ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano e a economia. Exporemos neste artigo duas áreas em que a implementação de novas tecnologias pode tornar uma cidade mais “inteligente”:

Gestão da água

O abastecimento de água potável é um grande problema mundial. Mesmo no Brasil, um dos países mais ricos neste recurso, sofremos períodos de seca em diversos estados. A tecnologia pode auxiliar a gestão e uso da água, como em Santa Ana, Califórnia, onde a micro purificação torna a água poluída potável novamente. Instalados postos de tratamento pela cidade, conectados a canalização das casas, é possível economizar milhares de litros por ano, além de evitar a poluição de outras fontes. O cuidado com o esgoto é outro grande ponto de atenção. Canos velhos e sistemas com pouca manutenção fazem com que a perda de água dentro do sistema de saneamento seja imensa. Com tecnologia de monitoramento ponto a ponto, por exemplo, é possível identificar um vazamento e realizar a devida manutenção de maneira mais eficiente, poupando milhares de litros de água.

Transporte

O planejamento do transporte urbano focado no veículo individual, como ocorreu em São Paulo, Brasília e outras grandes cidades, é hoje nitidamente inviável. Com os imensos congestionamentos e poluição, torna-se fundamental pensarmos novos modelos focando o transporte coletivo. Trens e metrôs poluem muito menos e transportam mais pessoas, ocupando menos ou o mesmo espaço. Outro ponto do planejamento urbano que pode melhorar o transporte é o conceito de cidade em bloco. Grande parte do trânsito dos grandes centros urbanos acontece no trajeto residência-trabalho-residência. Se os novos empreendimentos considerarem isso e pensarem em construções de uso misto (escritório, residência e comércio), a necessidade de transporte seria potencialmente diminuída.

Unificando tudo: a informação

Fundamental para o bom funcionamento das mudanças mencionadas no texto – e todas as outras necessárias para a construção de uma cidade inteligente – é a gestão da informação. Sem isso, sistemas complexos não funcionam. Se dada a capacidade de coletar informações para estes novos projetos urbanos, é possível contar com uma imensa quantidade de informações que se bem interpretadas, dão ao gestor público a capacidade de priorizar investimentos e corrigir possíveis desvios de maneira mais eficiente.


Rafael Azuir
  • Rafael Azuir Administrador
  • Formado em Administração de Empresas com ênfase em Processos Gerenciais. Atualmente atua como Gerente Administrativo na Toccato Tecnologia em Sistemas, empresa do ramo de Business Inteligence e...

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